55 (11) 3538-ABPO

 

Revista O PAPEL

ARTIGO TÉCNICO
Março 2008

O ensaio de resistência de coluna é o mais importante para avaliar a qualidade da chapa de papelão ondulado, realizado em um corpo de prova de dimensões de 63mm X 100mm. Há dispositivos especiais que mantêm o corpo de prova na posição vertical: duas garras - uma superior e outra inferior, com largura de 21 mm - prendem o corpo de prova. A fim de evitar deslize do corpo de prova durante a execução do ensaio, essas garras são revestidas por uma lixa nas áreas de contato.

A dimensão de 63 mm fica no sentido vertical, ao ser posicionado o corpo de prova no dispositivo-suporte. As garras, que prendem o corpo de prova numa distância vertical correspondente a 21 mm de largura, são formadas por um par de barras com um comprimento superior aos 100 mm e abraçam o corpo de prova numa área correspondente a 21mm X 100mm.

Uma distância de 21 mm fica livre en­tre as garras superior e inferior para que o colapso do corpo de prova possa ocorrer nessa região. É importante verificar e examinar o corpo de prova após o ensaio. Dependendo desse exame, o ensaio pode ser considerado válido ou não.

Nossos comentários a seguir refe­rem-se às observações que devem ser feitas após o ensaio. É importantís­simo o corte do corpo de prova. As bordas de 100 mm, superior e inferior, devem estar perfeitamente paralelas, admitindo-se variação máxima de 0,1 mm nesse paralelismo.

O corpo de prova, posicionado entre as garras, é apertado manualmente, com o uso de um parafuso acionado pelo executor do ensaio. Isso exige cuidado e treino do operador, pois um excessivo aperto pode danificar o corpo de prova e levá-lo a quebrar, seguindo a linha horizontal da face superior da garra. Isso tanto pode ocorrer na garra inferior quanto na superior. Em casos assim, obviamente se deve descartar o resultado e proceder ao ensaio com outro corpo de prova.

Pode ocorrer, também, o problema contrário: sem o aperto adequado, isto é, insuficiente, o corpo de prova pode não entrar em colapso. Assim, simples­mente aparecerão pequenas dobras na borda superior e/ou inferior do corpo de prova. Trata-se, entretanto, de uma ocorrência facilmente detectável, pois o corpo de prova não entra em colapso e, conseqüentemente, não há leitura final para o ensaio.

Outro aspecto a ser examinado, com consequência idêntica à analisada acima, é o desgaste da lixa que fica em contato com o corpo de prova na área de aperto. Se a lixa deixa de colaborar para o atrito na área de aperto, o corpo de prova pode deslizar dentro das garras, formar pequenas dobras nas bordas e, igualmente, não entrar em colapso.

Em alguns casos, porém, mesmo com essas pequenas dobras nas bordas - in­ferior e/ou superior do corpo de prova -, o colapso pode se verificar. Nessas situações, não raras, o laboratorista, sem examinar o corpo de prova após o ensaio, acaba considerando, indevidamente, o ensaio válido.

Recomenda-se que o ensaio seja executado em corpos de prova retirados de áreas sem danos nem impressão. Atualmente, porém, muitas caixas têm grandes áreas impressas, sem sobrar espaço suficiente para a retirada de um corpo de prova. Acreditamos que, nesses casos, o ensaio deve ser feito mesmo nas áreas impressas, anotando-se o fato nos relatórios de ensaio.

Em tal situação, usuários e forne­cedores devem estar de acordo quanto ao procedimento. A impressão em pa­pelão ondulado vem passando por uma melhoria muito grande, com mínimos danos causados por esmagamento, em virtude da pressão decorrente do contato do clichê com a superfície do papelão ondulado. Tal fato se detecta pela medida da espessura tomada nas áreas impressas, procedimento rotinei­ro no controle de qualidade das fábricas de papelão ondulado.

Outro controle consiste no ensaio de resistência ao esmagamento, que pode detectar se houve prejuízo à rigidez do papelão ondulado.

O ensaio de resistência de coluna apresenta, assim, alguns aspectos que de­pendem do conhecimento do laboratoris­ta. Um resultado de resistência de coluna obtido por um ensaio executado sem cui­dadosa observância dos procedimentos indicados na norma pode não representar a real qualidade do papelão ondulado e gerar problemas de recebimento, de modo a acabar afetando o relacionamento entre usuário e fornecedor.

Por
Juarez Pereira
Assessor técnico da Associação Brasileira do Papelão Ondulado. 
abpo@abpo.org.br

 

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