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Revista O
PAPEL |
ARTIGO
TÉCNICO
Março 2008 |
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O ensaio de resistência de coluna é o mais importante para avaliar a qualidade da chapa de papelão ondulado, realizado em um corpo de prova de dimensões de 63mm X 100mm. Há dispositivos especiais que mantêm o corpo de prova na posição vertical: duas garras - uma superior e outra inferior, com largura de 21 mm - prendem o corpo de prova. A fim de evitar deslize do corpo de prova durante a execução do ensaio, essas garras são revestidas por uma lixa nas áreas de contato.
A dimensão de 63 mm fica no sentido vertical, ao ser posicionado o corpo de prova no dispositivo-suporte. As garras, que prendem o corpo de prova numa distância vertical correspondente a 21 mm de largura, são formadas por um par de barras com um comprimento superior aos 100 mm e abraçam o corpo de prova numa área correspondente a 21mm X 100mm.
Uma distância de 21 mm fica livre entre as garras superior e inferior para que o colapso do corpo de prova possa ocorrer nessa região. É importante verificar e examinar o corpo de prova após o ensaio. Dependendo desse exame, o ensaio pode ser considerado válido ou não.
Nossos comentários a seguir referem-se às observações que devem ser feitas após o ensaio. É importantíssimo o corte do corpo de prova. As bordas de 100 mm, superior e inferior, devem estar perfeitamente paralelas, admitindo-se variação máxima de 0,1 mm nesse paralelismo.
O corpo de prova, posicionado entre as garras, é apertado manualmente, com o uso de um parafuso acionado pelo executor do ensaio. Isso exige cuidado e treino do operador, pois um excessivo aperto pode danificar o corpo de prova e levá-lo a quebrar, seguindo a linha horizontal da face superior da garra. Isso tanto pode ocorrer na garra inferior quanto na superior. Em casos assim, obviamente se deve descartar o resultado e proceder ao ensaio com outro corpo de prova.
Pode ocorrer, também, o problema contrário: sem o aperto adequado, isto é, insuficiente, o corpo de prova pode não entrar em colapso. Assim, simplesmente aparecerão pequenas dobras na borda superior e/ou inferior do corpo de prova. Trata-se, entretanto, de uma ocorrência facilmente detectável, pois o corpo de prova não entra em colapso e, conseqüentemente, não há leitura final para o ensaio.
Outro aspecto a ser examinado, com consequência idêntica à analisada acima, é o desgaste da lixa que fica em contato com o corpo de prova na área de aperto. Se a lixa deixa de colaborar para o atrito na área de aperto, o corpo de prova pode deslizar dentro das garras, formar pequenas dobras nas bordas e, igualmente, não entrar em colapso.
Em alguns casos, porém, mesmo com essas pequenas dobras nas bordas - inferior e/ou superior do corpo de prova -, o colapso pode se verificar. Nessas situações, não raras, o laboratorista, sem examinar o corpo de prova após o ensaio, acaba considerando, indevidamente, o ensaio válido.
Recomenda-se que o ensaio seja executado em corpos de prova retirados de áreas sem danos nem impressão. Atualmente, porém, muitas caixas têm grandes áreas impressas, sem sobrar espaço suficiente para a retirada de um corpo de prova. Acreditamos que, nesses casos, o ensaio deve ser feito mesmo nas áreas impressas, anotando-se o fato nos relatórios de ensaio.
Em tal situação, usuários e fornecedores devem estar de acordo quanto ao procedimento. A impressão em papelão ondulado vem passando por uma melhoria muito grande, com mínimos danos causados por esmagamento, em virtude da pressão decorrente do contato do clichê com a superfície do papelão ondulado. Tal fato se detecta pela medida da espessura tomada nas áreas impressas, procedimento rotineiro no controle de qualidade das fábricas de papelão ondulado.
Outro controle consiste no ensaio de resistência ao esmagamento, que pode detectar se houve prejuízo à rigidez do papelão ondulado.
O ensaio de resistência de coluna apresenta, assim, alguns aspectos que dependem do conhecimento do laboratorista. Um resultado de resistência de coluna obtido por um ensaio executado sem cuidadosa observância dos procedimentos indicados na norma pode não representar a real qualidade do papelão ondulado e gerar problemas de recebimento, de modo a acabar afetando o relacionamento entre usuário e fornecedor.
Por
Juarez Pereira
Assessor técnico da Associação
Brasileira do Papelão Ondulado.
abpo@abpo.org.br
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