55 (11) 3538-ABPO

 

Revista O PAPEL

ARTIGO TÉCNICO
Junho 2007

Na verificação dos parâmetros de resistência, os produtos de papelão ondulado devem, pri­meiramente, ser condicionados a uma umidade relativa e temperatura padroni­zadas. É perfeitamente compreensível que, para se compararem ensaios feitos em diferentes laboratórios, as condições aplicadas precisam, necessariamente, ser iguais. Entretanto, quando os clientes recebem um lote de caixas ou acessórios de papelão ondulado, realizam os ensaios na hora do recebimento, nas condições ambientais do momento.

 

Certamente os resultados apresentarão discordâncias em relação aos dados que constam do laudo do fornecedor. Essa é uma cons­tatação que se observa, principalmente, no ensaio de compressão da embalagem. Se os resultados encontrados pelo cliente forem iguais ou superiores aos especifica­dos, o cliente não reclama e recebe os lotes normalmente. Se, porém, as especifica­ções não são atendidas, haverá reclamação ou devolução da mercadoria que está sendo entregue. Mesmo que esclarecido o assunto - o que acontece na maioria dos casos -, haverá sempre um "mal-estar" no relacio­namento entre o usuário e o fornecedor.

 

A definição ou o esclarecimento da ocor­rência passa por uma reavaliação do lote; na maioria das vezes, as caixas seguem para o laboratório da ABPO para a repetição dos ensaios, nas condições padronizadas: 50% de umidade relativa e 23 °C de temperatura. Se confirmadas as especificações pêlos resultados encontrados no laboratório da ABPO, o lote acaba sendo aceito pelo clien­te. Mesmo assim, terá havido nesse período uma situação de impasse, um problema que pode ter gerado outros: para o cliente, uma provável mudança da programação de pro­dução; para o fornecedor das embalagens complicações por não-conformidade em seus processos de controle da qualidade. Aparentemente, parece fácil resolver o problema, considerando, já no projeto da embalagem, uma umidade relativa mais alta - e indicando, na especificação, esse critério adotado.

 

As implicações quanto ao procedimento, entretanto, merecerão estu­dos para definir o percentual de umidade relativa. Um ponto conflitante reside no fato de que esse novo percentual de umidade re­lativa poderá exigir aumento na resistência de coluna do papelão ondulado. Sem dúvi­da, porém, estaríamos minimizando a pos­sibilidade de rejeição no recebimento. Tudo isso, é claro, partindo do princípio de que todos os outros fatores que podem influir sobre a resistência à compressão da embala­gem estejam perfeitamente equacionados. Torna-se importante, então, que o usu­ário esteja bem informado a respeito da embalagem de papelão ondulado, suas características próprias de uso e métodos de ensaios para avaliar as especificações, nunca esquecendo que a umidade relativa é um fator que influi significativamente nos resultados dos ensaios.


Por Juarez Pereira,

Assessor técnico da ABPO
E-mail: abpo@abpo.org.br

 

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