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Na verificação dos parâmetros de
resistência, os produtos de papelão
ondulado devem, primeiramente, ser
condicionados a uma umidade relativa e
temperatura padronizadas. É
perfeitamente compreensível que, para se
compararem ensaios feitos em diferentes
laboratórios, as condições aplicadas
precisam, necessariamente, ser iguais.
Entretanto, quando os clientes recebem
um lote de caixas ou acessórios de
papelão ondulado, realizam os ensaios na
hora do recebimento, nas condições
ambientais do momento.
Certamente os resultados apresentarão
discordâncias em relação aos dados que
constam do laudo do fornecedor. Essa é
uma constatação que se observa,
principalmente, no ensaio de compressão
da embalagem. Se os resultados
encontrados pelo cliente forem iguais ou
superiores aos especificados, o cliente
não reclama e recebe os lotes
normalmente. Se, porém, as
especificações não são atendidas,
haverá reclamação ou devolução da
mercadoria que está sendo entregue.
Mesmo que esclarecido o assunto - o que
acontece na maioria dos casos -, haverá
sempre um "mal-estar" no relacionamento
entre o usuário e o fornecedor.
A definição ou o esclarecimento da
ocorrência passa por uma reavaliação do
lote; na maioria das vezes, as caixas
seguem para o laboratório da ABPO para a
repetição dos ensaios, nas condições
padronizadas: 50% de umidade relativa e
23 °C de temperatura. Se confirmadas as
especificações pêlos resultados
encontrados no laboratório da ABPO, o
lote acaba sendo aceito pelo cliente.
Mesmo assim, terá havido nesse período
uma situação de impasse, um problema que
pode ter gerado outros: para o cliente,
uma provável mudança da programação de
produção; para o fornecedor das
embalagens complicações por
não-conformidade em seus processos de
controle da qualidade. Aparentemente,
parece fácil resolver o problema,
considerando, já no projeto da
embalagem, uma umidade relativa mais
alta - e indicando, na especificação,
esse critério adotado.
As implicações quanto ao procedimento,
entretanto, merecerão estudos para
definir o percentual de umidade
relativa. Um ponto conflitante reside no
fato de que esse novo percentual de
umidade relativa poderá exigir aumento
na resistência de coluna do papelão
ondulado. Sem dúvida, porém, estaríamos
minimizando a possibilidade de rejeição
no recebimento. Tudo isso, é claro,
partindo do princípio de que todos os
outros fatores que podem influir sobre a
resistência à compressão da embalagem
estejam perfeitamente equacionados.
Torna-se importante, então, que o
usuário esteja bem informado a respeito
da embalagem de papelão ondulado, suas
características próprias de uso e
métodos de ensaios para avaliar as
especificações, nunca esquecendo que a
umidade relativa é um fator que influi
significativamente nos resultados dos
ensaios.
Por Juarez Pereira,
Assessor técnico da ABPO
E-mail:
abpo@abpo.org.br |