55 (11) 3538-ABPO

 

Revista O PAPEL

ARTIGO TÉCNICO
Agosto 2007

No cálculo da resistência à compressão pela fórmula de McKee, aparecem dois fatores referentes à chapa de papelão ondulado: espessura e resistência de coluna. Abordamos o primeiro fator no artigo da edição passada e, agora, vamos falar sobre a resistência de colu­na, fator considerado como o mais im­portante para a especificação da chapa de papelão ondulado. Considerando-se esse aspecto, a ABPO apresentou, em sua Classificação dos Níveis de Especificação do Papelão Ondulado, uma sugestão de valores, na tentativa de criar uma tabela para padronizar as especificações das indústrias de papelão ondulado no País.

Os valores indicados na tabela constante da Classificação correspon­dem à média de dez ensaios, com a possibilidade de até três dos resultados obtidos estarem abaixo da média, que deve ser igual ou superior ao valor especificado. Tal registro é impor­tante porque há critérios diferentes usados na prática em nosso dia-a-dia. Na indústria, costuma-se prever a resistência de coluna com base na resistência ao esmagamento de anel - também conhecido como Ring Crush Test (RCT) - dos elementos da chapa, isto é, dos papéis capa e miolo. Trata-se, então, de uma indicação importante nas especificações do papel, a merecer constante monitoramento pelo Con­trole da Qualidade dos fornecedores de embalagens de papelão ondulado. Vale lembrar, entretanto, que, além do RCT, existem ainda possibilidades de previsão da resistência de coluna com base em outros parâmetros, ainda que menos usuais.

Sendo um importante parâmetro de qualidade da chapa de papelão ondulado, o processo na onduladeira (máquina que fabrica a chapa) deve ser alvo de controles concentrados. Mes­mo usando os materiais adequados, ou seja, com os valores de RCT em confor­midade com as especificações, é pos­sível que não se alcance a resistência de coluna esperada, devido a eventuais problemas de máquina (ajustes, tempe­ratura e colagem das capas ao miolo, entre outros). Cabe aos operadores da onduladeira, juntamente com o pessoal do Controle da Qualidade, analisar os problemas e corrigi-los. Esse é o momento certo para tal procedimento, pois na continuação do processo não há possibilidade de melhorar a resistência de coluna - muito pelo contrário, só vamos encontrar situações que levam à diminuição daquela resistência ini­cial verificada na chapa logo após sua fabricação na onduladeira.

Assim como devemos medir a espessura da chapa na saída da im­pressora, faz-se necessário controlar, também, a resistência de coluna. Nesse ponto, o valor encontrado é aquele que deve estar nas tabelas de especificação do papelão ondulado dos fornecedores de embalagens. Na impressora, desde o momento de alimentação das chapas na máquina, passando pela área de impressão, pêlos setores de vincagem e entalhes ou pelo setor de "estampa­gem" (caso de peças corte-vinco), a chapa pode sofrer esmagamentos, que ocorrem pela ação de puxadores, pela pressão dos clichês na transferência dos caracteres a serem impressos e pela pressão das formas de corte-vinco no ato da estampagem, bem como - ainda que em menor grau - nos setores de dobragem, na colagem e na preparação dos amarrados para paletização. Quando se calcula a resistência da caixa à compressão aplicando-se a fórmula de McKee (ver coluna publicada na edição de julho da O Papel), se usa, normalmente, a resistência de coluna obtida em áreas livres de impressão e afastadas das proximidades de vincos e de áreas que tenham sofrido algum tipo de amassamento, ainda que inerentes ao processo (puxadores e borrachas de
expulsão nas formas corte-vinco, por exemplo). Essas áreas estarão, porém, como toda a caixa, submetidas à compres­ são quando se leva a embalagem à prensa para verificar sua resistência à compres­ são. Minimizar, no processo, os efeitos negativos desses pontos deve ser objeto de constante preocupação e aprimoramento nas operações de fabricação.  

Por Juarez Pereira
Assessor técnico da Associação Brasileira do Papelão Ondulado. 
abpo@abpo.org.br

 

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