|
No cálculo da resistência à compressão
pela fórmula de McKee, aparecem dois
fatores referentes à chapa de papelão
ondulado: espessura e resistência de
coluna. Abordamos o primeiro fator no
artigo da edição passada e, agora, vamos
falar sobre a resistência de coluna,
fator considerado como o mais
importante para a especificação da
chapa de papelão ondulado.
Considerando-se esse aspecto, a ABPO
apresentou, em sua Classificação dos
Níveis de Especificação do Papelão
Ondulado, uma sugestão de valores, na
tentativa de criar uma tabela para
padronizar as especificações das
indústrias de papelão ondulado no País.
Os valores indicados na tabela constante
da Classificação correspondem à média
de dez ensaios, com a possibilidade de
até três dos resultados obtidos estarem
abaixo da média, que deve ser igual ou
superior ao valor especificado. Tal
registro é importante porque há
critérios diferentes usados na prática
em nosso dia-a-dia. Na indústria,
costuma-se prever a resistência de
coluna com base na resistência ao
esmagamento de anel - também conhecido
como Ring Crush Test (RCT) - dos
elementos da chapa, isto é, dos papéis
capa e miolo. Trata-se, então, de uma
indicação importante nas especificações
do papel, a merecer constante
monitoramento pelo Controle da
Qualidade dos fornecedores de embalagens
de papelão ondulado. Vale lembrar,
entretanto, que, além do RCT, existem
ainda possibilidades de previsão da
resistência de coluna com base em outros
parâmetros, ainda que menos usuais.
Sendo um importante parâmetro de
qualidade da chapa de papelão ondulado,
o processo na onduladeira (máquina que
fabrica a chapa) deve ser alvo de
controles concentrados. Mesmo usando os
materiais adequados, ou seja, com os
valores de RCT em conformidade com as
especificações, é possível que não se
alcance a resistência de coluna
esperada, devido a eventuais problemas
de máquina (ajustes, temperatura e
colagem das capas ao miolo, entre
outros). Cabe aos operadores da
onduladeira, juntamente com o pessoal do
Controle da Qualidade, analisar os
problemas e corrigi-los. Esse é o
momento certo para tal procedimento,
pois na continuação do processo não há
possibilidade de melhorar a resistência
de coluna - muito pelo contrário, só
vamos encontrar situações que levam à
diminuição daquela resistência inicial
verificada na chapa logo após sua
fabricação na onduladeira.
Assim como devemos medir a espessura da
chapa na saída da impressora, faz-se
necessário controlar, também, a
resistência de coluna. Nesse ponto, o
valor encontrado é aquele que deve estar
nas tabelas de especificação do papelão
ondulado dos fornecedores de embalagens.
Na impressora, desde o momento de
alimentação das chapas na máquina,
passando pela área de impressão, pêlos
setores de vincagem e entalhes ou pelo
setor de "estampagem" (caso de peças
corte-vinco), a chapa pode sofrer
esmagamentos, que ocorrem pela ação de
puxadores, pela pressão dos clichês na
transferência dos caracteres a serem
impressos e pela pressão das formas de
corte-vinco no ato da estampagem, bem
como - ainda que em menor grau - nos
setores de dobragem, na colagem e na
preparação dos amarrados para
paletização. Quando se calcula a
resistência da caixa à compressão
aplicando-se a fórmula de McKee (ver
coluna publicada na edição de julho da O
Papel), se usa, normalmente, a
resistência de coluna obtida em áreas
livres de impressão e afastadas das
proximidades de vincos e de áreas que
tenham sofrido algum tipo de
amassamento, ainda que inerentes ao
processo (puxadores e borrachas de
expulsão nas formas corte-vinco, por
exemplo). Essas áreas estarão, porém,
como toda a caixa, submetidas à compres
são quando se leva a embalagem à prensa
para verificar sua resistência à
compres são. Minimizar, no processo, os
efeitos negativos desses pontos deve ser
objeto de constante preocupação e
aprimoramento nas operações de
fabricação.
Por Juarez Pereira
Assessor técnico da Associação
Brasileira do Papelão Ondulado.
abpo@abpo.org.br |