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O desempenho da
embalagem, seja a fabricada de papelão ondulado, seja a produzida com outros
tipos de materiais, depende muito de uma correia paletização.
Quanto à embalagem de papelão ondulado - nosso campo de atividade -
faz-se importante apresentar algumas considerações em relação ao desempenho.
Primeiramente, quero registrar que a embalagem de papelão ondulado - e aqui falo
daquela caixa normal, do estilo mais fabricado — tem a resistência, em maior
parte, distribuída pelas quatro arestas verticais. Estima-se que, dessa
resistência, 64% se concentrem nesses quatro pontos da embalagem, ficando os
restantes 36% referentes à resistência oferecida pêlos painéis verticais (lados)
da caixa.
Por esse motivo, é preciso que todo o perímetro da caixa tenha apoio sobre a
superfície do palete. Na prática, porém, isso muitas vezes não ocorre, por
vários motivos. O primeiro: o fato de a superfície do palete ser formada por
tábuas distanciadas umas das outras; quanto mais distanciadas, maiores os vãos
que se formam. Assim, nesses espaços, partes correspondentes das paredes
verticais da caixa ficam "suspensas", isto é, sem apoio. A caixa sofre certa
perda de resistência, que será maior ainda se tais espaços entre as tábuas
coincidirem com as arestas verticais. A cada aresta vertical sem apoio
correspondem, teoricamente, 16% da resistência da caixa.
Consideração idêntica deve ser feita para o caso em que, colocadas umas sobre as
outras, as caixas apresentam sobressalência para além dos limites do palete —
situação bastante comum, por razões de dimensionamento das embalagens ou por
falta de cuidados na paletização. Estamos aqui falando daquela primeira camada
de caixas que fica em contato com a superfície do palete, mas há ainda outras
caixas das camadas sobrepostas que podem, também, encontrar-se em posições
semelhantes, principalmente quando as dimensões geram espaços que formam uma
camada.
Uma perfeita paletização exige que as caixas formem um bloco estável, algo
conseguido com uma cintagem das caixas e a utilização de cantoneiras nos quatro
cantos verticais formados pelas unidades sobrepostas. Além dessa cintagem
horizontal, outra vertical complementa a segurança e evita que as caixas da
camada superior do palete se desloquem, especialmente em virtude de movimentos
verticais transmitidos à carga pêlos caminhões, como consequência das
irregularidades da superfície de nossas estradas.
O setor de hortifruticultura vem procurando adequar-se às
recomendações relativas ao dimensionamento das caixas e aos procedimentos para
uma perfeita paletização. As embalagens, além de dimensionadas de acordo com o
palete utilizado, são cintadas horizontal e verticalmente. Como cuidado
especial, as unidades são autoempilháveis, isto é, se travam umas às outras por
encaixes. A conscientização desses usuários vem permitindo que os produtos
embalados cheguem ao consumidor final em perfeitas condições, principalmente no
segmento de exportação, de modo a criar condição de concorrência em pé de
igualdade com os países tradicionalmente exportadores de produtos
hortifrutícolas.
Por Juarez Pereira
Assessor técnico da Associação Brasileira do Papelão Ondulado.
abpo@abpo.org.br
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