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Revista O PAPEL

PALAVRA DO PRESIDENTE
Setembro 2008

Embalagens de papelão ondulado para produtos hortícolas

A indústria de papelão ondulado, preocupada com o atendimento da cadeia de suprimento dos produtos hortícolas, desenvolveu um sistema modular de embalagens denominado Common Footprint Standard, inicialmente utili­zado na Europa e nos Estados Unidos e, posteriormente, difundido em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil, sob orientação da International Corrugated Case Association (Icca).

O sistema modular de embalagens de papelão ondulado estabelece e recomenda dimensões padronizadas de largura e comprimento das caixas a serem utili­zadas, além de determinar o dimensio­namento exato e o posicionamento das travas de empilhamento, para que tais embalagens possam ser intercambiáveis em qualquer parte do mundo.

As dimensões das embalagens bá­sicas, tipo bandeja, foram fixadas em 600mm x 400mm (CF1) e 400mm x 300mm (CF2), de modo a permitir e faci­litar a utilização dos paletes padronizados de 1.200mm x 1.000 mm e 1.200mm x SOOmm. A altura das embalagens pode variar de acordo com os produtos a que se destinam.

A utilização do sistema modular de embalagens tem facilitado enormemente o carregamento, o manuseio, a estocagem e o transporte de produtos hortícolas frescos, desde o produtor, no campo, até o consumidor final. Conseqüentemente, tem representado enormes reduções de custos quando avaliada toda a cadeia de suprimento.

Vários são os exemplos desses ganhos, e diversos estudos e acom­panhamentos têm sido elaborados em âmbito internacional. Estudos recentes sobre a situação do tráfego na Europa, por exemplo, mostram uma situação alarmante: mais de 20% dos veículos que circulam nas estradas estão vazios ou com somente 50% de sua capaci­dade ocupada. Com uma previsão de aumento de 25% no volume dos fretes que atravessam a Europa, a busca de soluções tornou-se imperativa. Na cadeia de alimentos, os custos por atrasos em congestionamentos chegam a 1.650 euros por veículo a cada ano. Com uma circulação de 77 milhões de toneladas de frutas e vegetais por ano, o novo sistema de embalagens modulares de papelão ondulado tem apresentado grandes vantagens devido à maior eficiência quanto a proteção, estocagem, transporte e venda desses produtos frescos.

Nos Estados Unidos, foram feitos alguns estudos que apresentaram resul­tados surpreendentes na avaliação do transporte de laranjas e uvas procedentes da Califórnia na comparação entre as embalagens modulares de papelão on­dulado e as caixas plásticas retornáveis. Os estudos analisaram os custos totais da cadeia de suprimentos com uma ferra­menta de modelagem de custos. No caso das laranjas, foram avaliados os custos totais envolvidos no transporte de 24 mil toneladas em uma distância de l .800 km; no das uvas, considerou-se o volume de 13 mil toneladas em 4.500 km.

No transporte das laranjas, houve eco­nomia de mais de meio milhão de dólares -ou 9% dos custos totais - em toda a cadeia (produtores, transportadores e varejistas) com o uso das embalagens modulares de papelão ondulado. Com as uvas, apesar do volume menor, as economias revelaram-se ainda maiores. Os varejistas tiveram redução de 14% (USS 617.000 ou USS 0,41/embalagem), possibilitada pelo fato de não se manusear e transportar as caixas plásticas retornáveis. Para os produtores/ transportadores, verificou-se uma econo­mia de 7,5% (USS 128,000 ou US$0,09/ embalagem em materiais de embalagem adicionais e custos administrativos relati­vos às caixas plásticas).

O retorno das caixas plásticas, com as várias operações envolvidas, é responsá­vel pela maior parte dos custos adicionais dessa embalagem. As embalagens de papelão, por sua vez, não têm tais custos adicionais e, além disso, geram ganhos ao varejista em decorrência de sua recu­peração pela reciclagem.

Aqui, no Brasil, o sistema modular de papelão ondulado está sendo ampla­mente utilizado para as exportações de frutas frescas, uma vez que os países importadores já se decidiram por esse tipo de embalagem, por ser o que me­lhor atende às rígidas exigências dos mercados locais.

No mercado interno de frutas e legumes, já se nota um avanço nas em­balagens para frutas. Estamos focando nossas ações para demonstrar as enormes vantagens que o sistema modular de papelão ondulado tem apresentado, mas ainda esbarramos em algumas avaliações equivocadas, com a comparação do custo unitário de uma embalagem, e não o real, de toda a cadeia logística de suprimento. E importante citar novamente o que a Sra. Ann S. Roberts, diretora da Pira Interna­tional, destacou em recente artigo sobre o tema: "Quando somente o preço (da em­balagem) é considerado como o principal critério de compra, muitas oportunidades estão sendo perdidas". Ela ainda vai além: "O que conta é custo total da cadeia de suprimentos, e não somente o preço de um único elo dessa cadeia".

Mais uma vez lembramos que está em nossas mãos, fabricantes de embalagens - em nosso caso, de embalagens de papelão ondulado - evidenciar a diferença entre o preço de uma embalagem e o custo de todo um sistema em que está inserida.
Muitas vezes, o barato sai caro - e quem paga a conta não sabe.

Por Paulo Sérgio Peres
Presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado.
abpo@abpo.org.br

 


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