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A indústria
de papelão
ondulado, preocupada
com o atendimento
da cadeia de
suprimento dos
produtos hortícolas,
desenvolveu
um sistema modular
de embalagens
denominado Common
Footprint Standard,
inicialmente
utilizado
na Europa e
nos Estados
Unidos e, posteriormente,
difundido em
todo o mundo,
inclusive aqui
no Brasil, sob
orientação
da International
Corrugated Case
Association
(Icca).
O
sistema modular
de embalagens
de papelão
ondulado estabelece
e recomenda
dimensões
padronizadas
de largura e
comprimento
das caixas a
serem utilizadas,
além
de determinar
o dimensionamento
exato e o posicionamento
das travas de
empilhamento,
para que tais
embalagens possam
ser intercambiáveis
em qualquer
parte do mundo.
As
dimensões
das embalagens
básicas,
tipo bandeja,
foram fixadas
em 600mm x 400mm
(CF1) e 400mm
x 300mm (CF2),
de modo a permitir
e facilitar
a utilização
dos paletes
padronizados
de 1.200mm x
1.000 mm e 1.200mm
x SOOmm. A altura
das embalagens
pode variar
de acordo com
os produtos
a que se destinam.
A
utilização
do sistema modular
de embalagens
tem facilitado
enormemente
o carregamento,
o manuseio,
a estocagem
e o transporte
de produtos
hortícolas
frescos, desde
o produtor,
no campo, até
o consumidor
final. Conseqüentemente,
tem representado
enormes reduções
de custos quando
avaliada toda
a cadeia de
suprimento.
Vários
são os
exemplos desses
ganhos, e diversos
estudos e acompanhamentos
têm sido
elaborados em
âmbito
internacional.
Estudos recentes
sobre a situação
do tráfego
na Europa, por
exemplo, mostram
uma situação
alarmante: mais
de 20% dos veículos
que circulam
nas estradas
estão
vazios ou com
somente 50%
de sua capacidade
ocupada. Com
uma previsão
de aumento de
25% no volume
dos fretes que
atravessam a
Europa, a busca
de soluções
tornou-se imperativa.
Na cadeia de
alimentos, os
custos por atrasos
em congestionamentos
chegam a 1.650
euros por veículo
a cada ano.
Com uma circulação
de 77 milhões
de toneladas
de frutas e
vegetais por
ano, o novo
sistema de embalagens
modulares de
papelão
ondulado tem
apresentado
grandes vantagens
devido à
maior eficiência
quanto a proteção,
estocagem, transporte
e venda desses
produtos frescos.
Nos
Estados Unidos,
foram feitos
alguns estudos
que apresentaram
resultados
surpreendentes
na avaliação
do transporte
de laranjas
e uvas procedentes
da Califórnia
na comparação
entre as embalagens
modulares de
papelão
ondulado
e as caixas
plásticas
retornáveis.
Os estudos analisaram
os custos totais
da cadeia de
suprimentos
com uma ferramenta
de modelagem
de custos. No
caso das laranjas,
foram avaliados
os custos totais
envolvidos no
transporte de
24 mil toneladas
em uma distância
de l .800 km;
no das uvas,
considerou-se
o volume de
13 mil toneladas
em 4.500 km.
No
transporte das
laranjas, houve
economia
de mais de meio
milhão
de dólares
-ou 9% dos custos
totais - em
toda a cadeia
(produtores,
transportadores
e varejistas)
com o uso das
embalagens modulares
de papelão
ondulado. Com
as uvas, apesar
do volume menor,
as economias
revelaram-se
ainda maiores.
Os varejistas
tiveram redução
de 14% (USS
617.000 ou USS
0,41/embalagem),
possibilitada
pelo fato de
não se
manusear e transportar
as caixas plásticas
retornáveis.
Para os produtores/
transportadores,
verificou-se
uma economia
de 7,5% (USS
128,000 ou US$0,09/
embalagem em
materiais de
embalagem adicionais
e custos administrativos
relativos
às caixas
plásticas).
O
retorno das
caixas plásticas,
com as várias
operações
envolvidas,
é responsável
pela maior parte
dos custos adicionais
dessa embalagem.
As embalagens
de papelão,
por sua vez,
não têm
tais custos
adicionais e,
além
disso, geram
ganhos ao varejista
em decorrência
de sua recuperação
pela reciclagem.
Aqui,
no Brasil, o
sistema modular
de papelão
ondulado está
sendo amplamente
utilizado para
as exportações
de frutas frescas,
uma vez que
os países
importadores
já se
decidiram por
esse tipo de
embalagem, por
ser o que melhor
atende às
rígidas
exigências
dos mercados
locais.
No
mercado interno
de frutas e
legumes, já
se nota um avanço
nas embalagens
para frutas.
Estamos focando
nossas ações
para demonstrar
as enormes vantagens
que o sistema
modular de papelão
ondulado tem
apresentado,
mas ainda esbarramos
em algumas avaliações
equivocadas,
com a comparação
do custo unitário
de uma embalagem,
e não
o real, de toda
a cadeia logística
de suprimento.
E importante
citar novamente
o que a Sra.
Ann S. Roberts,
diretora da
Pira International,
destacou em
recente artigo
sobre o tema:
"Quando
somente o preço
(da embalagem)
é considerado
como o principal
critério
de compra, muitas
oportunidades
estão
sendo perdidas".
Ela ainda vai
além:
"O que
conta é
custo total
da cadeia de
suprimentos,
e não
somente o preço
de um único
elo dessa cadeia".
Mais
uma vez lembramos
que está
em nossas mãos,
fabricantes
de embalagens
- em nosso caso,
de embalagens
de papelão
ondulado - evidenciar
a diferença
entre o preço
de uma embalagem
e o custo de
todo um sistema
em que está
inserida.
Muitas vezes,
o barato sai
caro - e quem
paga a conta
não sabe.
Por
Paulo Sérgio
Peres
Presidente da
Associação
Brasileira do
Papelão
Ondulado.
abpo@abpo.org.br
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