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Tradicionalmente uma embalagem de
transporte por excelência, a caixa de
papelão ondulado está vendo abrir-se seu
leque de utilização como embalagem
primária - aquela que chega até o
ponto-de-venda.
À primeira vista, as caixas de papelão
ondulado se assemelham - mas só à
primeira vista, pois, olhando um pouco
mais. Descobrimos inúmeras diferenças,
com o emprego de tecnologias distintas,
conforme o produto a ser embalado.
Assim, a condição de embalar embalagens
torna a caixa de papelão ondulado um
sistema de armazenagem e transporte por
excelência. Recentemente, entretanto,
novos nichos estão sendo conquistados,
com aplicações pouco usuais até então.
Como exemplo, vale citar as embalagens
para produtos hortifrutícolas, que
começam a ser expostas como displays no
ponto-de-venda, elevando a demanda por
impressão de melhor qualidade. O mesmo
acontece com embalagens de
eletroeletrônicos e eletrodomésticos.
O crescimento das exportações de
produtos congelados, por sua vez,
aumenta a necessidade de um papelão
ondulado capaz de resistir a
temperaturas muito baixas e umidade,
gerando a demanda por desenvolvimento em
tecnologia de impermeabilização.
Paralelamente, as regulamentações a
respeito da higienização das embalagens
de hortifrutícolas e da padronização de
suas dimensões são fatores que também
impulsionam o uso de caixas de papelão
ondulado, principalmente nas
exportações de frutas. A lei já está em
vigor, mas isso não significa que esteja
sendo efetivamente aplicada.
Lei à parte, o setor de papelão
ondulado desenvolveu especificamente
para o mercado hortifrutícola uma
solução modular de embalagens múltiplas
adotada mundialmente. Trata-se de um
sistema de embalagens de vários tamanhos
que se encaixam como módulos, permitindo
diversas configurações, formando, ao
final, um palete no tamanho-padrão. Esse
tipo de embalagem está fazendo grande
sucesso nas exportações, ainda mais se
considerando que a fruta é um produto
exportado basicamente em embalagens de
papelão ondulado. Essas embalagens,
porém, também estão entrando no mercado
interno, acondicionando os produtos a
partir da colheita, depois para o
caminhão, para o centro de distribuição
e, finalmente, para a gôndola do
supermercado, sem manuseios
intermediários. Trata-se de uma solução
vitoriosa, em especial pelo fato de
ainda nos depararmos, no Brasil, com
aquelas pirâmides de frutas, que geram
perdas entre 13% e 17% ao fim de cada
dia, segundo estudo realizado pela ABPO.
A reciclagem está entre as principais
preocupações da sociedade e das
empresas - e o papelão ondulado tem
entre seus grandes atributos justamente
a certeza de sua biodegradabilidade. A
embalagem de transporte com a maior taxa
de reciclagem do mundo é a de papelão
ondulado, e sua indústria, em âmbito
mundial, tem o compromisso de reduzir o
impacto total causado pelas embalagens
ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que
mantém a funcionalidade e a economia dos
produtos embalados.
Agora, em julho, a ABPO editou o Manual
Hortifrutícola, visando conscientizar e
uniformizar os critérios a serem
seguidos na fabricação, no controle da
qualidade e na utilização da embalagem
hortifrutícola.
Por Paulo Sérgio Peres
Presidente da Associação Brasileira do
Papelão Ondulado.
abpo@abpo.org.br |