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Revista O PAPEL

PALAVRA DO PRESIDENTE
Janeiro 2007

O ano de 2OO6 marca a continuidade de um plano seguro e com expressivos resultados para os produtores de celulose. Os fabricantes de papel também têm boas perspectivas: o consumo per capita aparente deve passar para 41,1 kg/habitante/ano no Brasil, o que representa aumento de 4,1% em relação a 2OO5

Por Rodrigo Moraes

Os números, embora não sejam os ideais, também estão longe de decepcionar. De acordo com dados preliminares da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), o Brasil conquistou em 2006 a sexta posição mundial como produtor de celulose de todos os tipos. Com 11,1 milhões de toneladas, os brasileiros ultrapassaram o Japão, que produziu no período 10,8 milhões. Enquanto isso, a fabricação de papel chegou a 8,8 milhões de toneladas, quantidade que revela crescimento de 1,8% em relação a 2005.

O setor acabou surfando a onda de uma série de fatores positivos, como, por exemplo, a continuidade na demanda aquecida de mercado, o fechamento de fábricas ociosas no Canadá e a intensificação do foco das empresas no mercado de celulose.

A criatividade e a velocidade com as quais algumas companhias realizaram projetos e investimentos em 2006 também devem ser ressaltadas: por meio da troca de ativos, aquisições e projetos ambiciosos, já plantaram no ano que passou as sementes que garantirão bons frutos em 2007.

Merece também destaque a entrada em operação de projetos de expansão já anunciados, como o projeto MA-1100, da Klabin de Monte Alegre, em Telêmaco Borba (PR), programado para outubro de 2007, e o início das obras da VCP em Três Lagoas (MS), com conclusão prevista para 2009.

Em 2006, também se difundiu muito, nos diversos meios da sociedade e nos setores público e privado o termo sustentabilidade, que "demonstra não somente a preocupação com os investimentos em novas unidades e na expansão de outras já existentes, mas também na valorização de atividades de pesquisa, de desenvolvimento e sócio-ambientais que fundamentam nossas perspectivas de expansão", destaca Horácio Lafer Piva, presidente da Bracelpa, em discurso realizado durante o almoço de confraternização de fim de ano da associação.

No esforço de aproximar os mais diversos meios e ampliar as informações sobre o setor, a entidade lançou a primeira edição do Prémio Bracelpa de Desenvolvimento Sustentável para Jornalistas. "Ações como esta têm a intenção de aproximar o setor da sociedade, ONGs e trabalhadores, para atuarmos juntos, e não separados", afirma Piva.

Para 2007, a Bracelpa tem expectativas de crescimento de 5,9% na produção de celulose e de 8,2% nas exportações na comparação com os resultados obtidos em 2006. No caso da fabricação brasileira de papel, prevê-se aumento na faixa de 2,9%.

Para Piva, apesar de alguns conflitos e entraves que acabam retardando o crescimento do Brasil - com déficit de infra-estrutura, invasões de terras, depreciação de patrimônio, excessiva carga tributária e alta taxa de juros -, os investimentos no mercado de celulose devem crescer em 2007. "O setor não vai parar mais de investir; a cada nova unidade, planta ou reforma, as empresas já estarão pensando em novos projetos", orgulha-se.


PAPELÃO ONDULADO

O setor de papelão ondulado não conseguiu atingir em 2006 os resultados esperados. Estima-se em apenas 1,7% o incremento no período - bem menor do que as expectativas de vendas entre 3% e 5% maiores.

"As decisões de compras de final de ano, que usualmente acontecem no terceiro trimestre, acabaram prorrogadas para outubro e novembro, fato anormal", aponta Paulo Peres, presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO). As baixas vendas no terceiro trimestre (historicamente o melhor do ano), a ansiedade causada pelas eleições, as exportações de produtos industrializados ainda em queda e o mercado interno enfraquecido pesaram no fechamento das contas, segundo a associação. Com isso, o setor prevê faturamento de R$ 5,17 bilhões em 2006, o que representa queda de 3,5% em relação ao ano anterior.

O que o segmento espera para 2007? "Apesar de ser um setor desenvolvido e nivelado com os demais, há dificuldade em fazer qualquer previsão. Ainda assim, diante das irregularidades apresentadas, todos estamos preparados para o crescimento e vamos trabalhar para isso", enfatiza Peres.

Na contramão de entraves e incertezas, ao menos uma empresa não pôde reclamar de 2006: a Klabin, a maior produtora de papelão ondulado do País, registrou crescimento de aproximadamente 3,5% nas vendas. Perguntado sobre como a empresa conseguiu atingir tanto êxito, o diretor-geral da empresa, Miguel Sampol, afirmou: "Investimos em recursos humanos, certificações ambientais, sustentabilidade social, programas de fomento, florestas, modernização das fábricas e outros aspectos. Estamos criando nosso valor e crescendo".

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