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O ano de 2OO6 marca a continuidade de
um plano seguro e com
expressivos resultados para os produtores de celulose. Os
fabricantes de papel também têm boas perspectivas: o consumo per capita aparente deve
passar para 41,1 kg/habitante/ano no
Brasil, o que
representa aumento de 4,1% em relação a
2OO5
Por Rodrigo Moraes
Os números, embora não sejam
os ideais, também estão longe de
decepcionar. De acordo com dados preliminares da
Associação Brasileira de Celulose e Papel
(Bracelpa), o Brasil conquistou em 2006 a sexta
posição mundial como produtor
de celulose de todos os
tipos. Com 11,1 milhões de toneladas, os
brasileiros ultrapassaram o Japão, que
produziu no período 10,8 milhões. Enquanto
isso, a fabricação de papel chegou a 8,8
milhões de toneladas,
quantidade que revela crescimento de 1,8%
em relação a 2005.
O setor acabou surfando a onda de uma série de fatores positivos, como, por exemplo, a continuidade na
demanda aquecida de mercado, o
fechamento de fábricas ociosas no Canadá e
a intensificação do foco das empresas
no mercado de celulose.
A criatividade e a velocidade com as quais algumas companhias
realizaram projetos e investimentos em
2006 também devem ser ressaltadas: por
meio da troca de ativos, aquisições
e projetos ambiciosos, já plantaram no ano
que passou as sementes que
garantirão bons frutos em 2007.
Merece também destaque a entrada em operação de projetos de expansão já anunciados, como o projeto MA-1100, da Klabin de Monte Alegre, em Telêmaco
Borba (PR), programado para
outubro de 2007, e o início das obras
da VCP em Três Lagoas (MS), com
conclusão prevista para 2009.
Em 2006, também se difundiu muito,
nos diversos meios da sociedade e nos setores público e privado o termo
sustentabilidade,
que "demonstra não
somente a preocupação com os investimentos
em novas unidades e na expansão de outras já
existentes, mas
também na valorização de atividades
de pesquisa, de desenvolvimento e sócio-ambientais que fundamentam nossas
perspectivas de expansão",
destaca Horácio Lafer Piva, presidente
da Bracelpa, em discurso realizado
durante o almoço de confraternização de fim de ano da associação.
No
esforço de aproximar os mais diversos meios e ampliar as informações sobre o setor, a entidade
lançou a primeira edição do Prémio Bracelpa
de Desenvolvimento Sustentável para Jornalistas. "Ações como esta têm a intenção
de aproximar o setor da sociedade,
ONGs e trabalhadores, para
atuarmos juntos, e não separados",
afirma Piva.
Para 2007, a Bracelpa tem expectativas de crescimento de
5,9% na produção de celulose e de 8,2% nas exportações na comparação com os
resultados obtidos em 2006. No caso da
fabricação brasileira de papel,
prevê-se aumento na faixa de 2,9%.
Para Piva, apesar de alguns
conflitos e entraves que acabam retardando o crescimento do Brasil - com déficit
de infra-estrutura,
invasões de terras, depreciação de patrimônio, excessiva carga tributária e
alta taxa de juros -, os investimentos no mercado de celulose devem crescer em 2007. "O setor não vai parar
mais de
investir; a cada nova unidade, planta ou reforma, as empresas já estarão
pensando em
novos projetos", orgulha-se.
PAPELÃO ONDULADO
O setor de papelão
ondulado não
conseguiu atingir em 2006 os resultados
esperados. Estima-se em apenas 1,7% o incremento no período - bem menor do que as
expectativas de vendas entre
3% e 5% maiores.
"As decisões de
compras de final
de ano, que usualmente acontecem no terceiro
trimestre, acabaram prorrogadas
para outubro e novembro, fato anormal",
aponta Paulo Peres, presidente da Associação
Brasileira do Papelão
Ondulado (ABPO). As baixas vendas no terceiro trimestre
(historicamente o melhor
do ano), a ansiedade causada pelas
eleições, as exportações de produtos industrializados ainda
em queda e o mercado interno enfraquecido pesaram no fechamento das contas,
segundo a
associação. Com isso, o setor prevê faturamento de R$ 5,17 bilhões em
2006, o que representa queda de 3,5% em relação ao ano anterior.
O que o segmento
espera para
2007? "Apesar de ser um setor desenvolvido
e nivelado com os demais, há dificuldade em
fazer qualquer previsão. Ainda assim, diante das
irregularidades apresentadas, todos estamos preparados
para o crescimento
e vamos trabalhar para isso",
enfatiza Peres.
Na
contramão de entraves e incertezas,
ao menos uma empresa não pôde
reclamar de 2006: a Klabin, a maior produtora de
papelão ondulado do
País, registrou crescimento de aproximadamente
3,5% nas vendas. Perguntado
sobre como a empresa conseguiu
atingir tanto
êxito, o diretor-geral da
empresa, Miguel Sampol, afirmou: "Investimos em recursos humanos, certificações
ambientais, sustentabilidade
social, programas de fomento,
florestas,
modernização das fábricas e
outros aspectos. Estamos criando nosso valor e
crescendo".
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