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Revista O PAPEL

PALAVRA DO PRESIDENTE
Agosto 2007

É bastante oportuno destacar as experiências vivenciadas pêlos franceses no campo das emba­lagens para produtos hortícolas. Muitas foram apontadas pelo Dr. Gerard Labout, representante no Ministério da Agricultura, Alimentação, Pesca e Assuntos Rurais da França, após suas visitas a várias unidades de Ceasa em todo o Brasil e ao Vale do São Fran­cisco - mais especificamente Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) -, região em que cresce enormemente a produção de frutas brasileiras. "Era inaceitável uma perda da ordem de 30% a 50% de nossas frutas, verduras e legumes no caminho da lavoura à mesa do consumidor.

Por isso, na década de 1960, iniciamos na França uma adesão voluntária dos produtores a um sistema de classificação de pro­dutos, normalização e padronização de embalagens. Em 1972, essas normas se tornaram obrigatórias, e quem não as segue, hoje, está fora do mercado. De lá para cá, modernizamos enormemente nossos mercados atacadistas, o que, por conseqüência, modernizou o varejo e modificou o comportamento do con­sumidor quando vai às compras. Hoje, praticamente 100% das embalagens de hortícolas são descartáveis e recicláveis, produzidas de acordo com as normas e as exigências de cada tipo de produto. O processo, porém, foi longo e difícil.

A percepção das vantagens do sistema novo que pretendíamos implantar foi difícil, e enfrentamos muita resistência dos produtores rurais, que há séculos embalavam e transportavam sua pro­dução em caixas de madeira e sacos. Argumentava-se que o novo sistema custava mais caro, não servia para nada e exigia árdua implantação. Toda mudança de padrões requer argumentação muito sólida para convencer os envolvidos, mas aos poucos fomos per­suadindo um a um. Conseguimos fazer que todos enxergassem que os consumi­dores querem um produto melhor em suas mesas e pagam por isso.

O varejo francês, muito profissional, foi muito importante em todo esse processo, pois passou também a solicitar que as frutas e legumes viessem para suas lojas em embalagens que os protegessem melhor e fossem descartáveis". O executivo francês acrescenta: "Aos poucos, todos perceberam que o novo sistema agregava valor, higiene e limpeza, além de reduzir riscos e prejuízos. Racionalizando os procedi­mentos, diminuímos ao máximo a ma­nipulação de produtos e melhoramos o transporte e o preço. Tínhamos mais de 700 tipos de embalagem; hoje, temos 15 destinadas a alimentos in natura. Fiscais de Agricultura, Saúde e Receita atuam fortemente na repressão aos que tentam fraudar as normas.

Lei só funciona se for fiscalizada, não é?". "Nossos produtos hortícolas têm de ser bons, bonitos, limpos e sau­dáveis. Também devemos proteger o meio ambiente, adotando embalagens recicláveis e biodegradáveis. Precisa­mos atuar com respeito ao trabalho humano, ao consumidor e ao meio am­biente. Temos como responsabilidade buscar a maior qualidade possível, pois, assim, iremos ampliar também nossos lucros.

A qualidade das frutas, legumes e verduras nas centrais de abastecimento da França, hoje, são um grande diferencial competitivo, uma vantagem no mercado internacio­nal", concluiu o professor Dr. Gerard Labout, que dá consultoria no mundo todo a respeito de classificação, nor­malização e padronização de embala­gens para produtos hortícolas.  Que as lições da França sirvam de exemplo e inspiração para toda a cadeia de suprimentos dos produtos hortícolas brasileiros - inclusive para nós, fabricantes de embalagens de papelão ondulado.   

Por Paulo Sérgio Peres
Presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado. 
abpo@abpo.org.br

 

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