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É bastante oportuno destacar as
experiências vivenciadas pêlos franceses
no campo das embalagens para produtos
hortícolas. Muitas foram apontadas pelo
Dr. Gerard Labout, representante no
Ministério da Agricultura, Alimentação,
Pesca e Assuntos Rurais da França, após
suas visitas a várias unidades de Ceasa
em todo o Brasil e ao Vale do São
Francisco - mais especificamente
Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) -, região
em que cresce enormemente a produção de
frutas brasileiras. "Era inaceitável uma
perda da ordem de 30% a 50% de nossas
frutas, verduras e legumes no caminho da
lavoura à mesa do consumidor.
Por isso,
na década de 1960, iniciamos na França
uma adesão voluntária dos produtores a
um sistema de classificação de
produtos, normalização e padronização
de embalagens. Em 1972, essas normas se
tornaram obrigatórias, e quem não as
segue, hoje, está fora do mercado. De lá
para cá, modernizamos enormemente nossos
mercados atacadistas, o que, por
conseqüência, modernizou o varejo e
modificou o comportamento do consumidor
quando vai às compras. Hoje,
praticamente 100% das embalagens de hortícolas são descartáveis e
recicláveis, produzidas de acordo com as
normas e as exigências de cada tipo de
produto. O processo, porém, foi longo e
difícil.
A percepção das vantagens do
sistema novo que pretendíamos implantar
foi difícil, e enfrentamos muita
resistência dos produtores rurais, que
há séculos embalavam e transportavam sua
produção em caixas de madeira e sacos.
Argumentava-se que o novo sistema
custava mais caro, não servia para nada
e exigia árdua implantação. Toda mudança
de padrões requer argumentação muito
sólida para convencer os envolvidos, mas
aos poucos fomos persuadindo um a um.
Conseguimos fazer que todos enxergassem
que os consumidores querem um produto
melhor em suas mesas e pagam por isso.
O
varejo francês, muito profissional, foi
muito importante em todo esse processo,
pois passou também a solicitar que as
frutas e legumes viessem para suas lojas
em embalagens que os protegessem melhor
e fossem descartáveis". O executivo
francês acrescenta: "Aos poucos, todos
perceberam que o novo sistema agregava
valor, higiene e limpeza, além de
reduzir riscos e prejuízos.
Racionalizando os procedimentos,
diminuímos ao máximo a manipulação de
produtos e melhoramos o transporte e o
preço. Tínhamos mais de 700 tipos de
embalagem; hoje, temos 15 destinadas a
alimentos in natura. Fiscais de
Agricultura, Saúde e Receita atuam
fortemente na repressão aos que tentam
fraudar as normas.
Lei só funciona se
for fiscalizada, não é?". "Nossos
produtos hortícolas têm de ser bons,
bonitos, limpos e saudáveis. Também
devemos proteger o meio ambiente,
adotando embalagens recicláveis e
biodegradáveis. Precisamos atuar com
respeito ao trabalho humano, ao
consumidor e ao meio ambiente. Temos
como responsabilidade buscar a maior
qualidade possível, pois, assim, iremos
ampliar também nossos lucros.
A
qualidade das frutas, legumes e verduras
nas centrais de abastecimento da França,
hoje, são um grande diferencial
competitivo, uma vantagem no mercado
internacional", concluiu o professor
Dr. Gerard Labout, que dá consultoria no
mundo todo a respeito de classificação,
normalização e padronização de
embalagens para produtos hortícolas.
Que as lições da França sirvam de
exemplo e inspiração para toda a cadeia
de suprimentos dos produtos hortícolas
brasileiros - inclusive para nós,
fabricantes de embalagens de papelão
ondulado.
Por Paulo Sérgio Peres
Presidente da Associação Brasileira do
Papelão Ondulado.
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